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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Sobre o pensar

Por que devemos pensar? É útil pensar?(Não o pensamento que vaga livremente na nossa mente, mas aquele que nos obriga a uma análise de uma situação ou objeto).

O exercício de pensar exige uma posição de curiosidade, desconfiança e desprendimento entre os saberes e crenças pré-estabelecidos e novas informações. Os motivos que nos levam a não pensar de forma desprendida e analítica tais informações, estão sujeitas a sentimentos que nos ligam a eles. Quando tais sentimentos não são contemplados, via de regra são rechaçados. Quando contemplados, acolhidos. A aceitação de um novo conceito determinará o rompimento com os saberes até então aceitos, o que a torna tão difícil, pois a sua não alteração será mais prazerosa.
O ato de pensar dependerá, então, da nossa disposição, vontade e sentimento que nutrimos sobre eles, de forma isolada, parcial ou total.
Egoísmo:
- Desinteresse: o assunto não me diz respeito, (aparentemente)não me afeta;
- Comodismo: vou precisar sair da minha posição para me preocupar com uma situação nova, dos outros;
Preconceito:
- Já tenho um conceito anteriormente definido sobre o objeto;
- Os dados divulgados batem com os conceitos pré-concebidos, logo, não há necessidade de aprofundamento;
- Os dados divulgados não batem com os conceitos pré-concebidos, logo, não merecem crédito nem uma nova análise;
- O objeto de estudo foi feito por um cara mais velho ou mais novo, de outra raça ou de posição sexual diferente da minha, de um país menos desenvolvido ou comunista, imperialista ou capitalista, etc.
Vaidade, soberba, mesquinhez:
- Sou o dono da verdade: nada nem ninguém tem algo a acrescentar sobre as minhas posições e convicções;
- Hierarquia: ninguém que não possua a minha posição de mando tem algo para me ensinar;
- Posição Social: ninguém que esteja vivendo numa condição social diferente da minha, que possua menos (ou mais) bens, conforto ou dinheiro, tem condições de contribuir com alguma coisa que possa me interessar ou ser acrescentado ao meu saber;
- Posição Cultural: ninguém que não estudou o que eu estudei tem condições de modificar as minhas convicções. Ninguém que não viveu na prática a minha situação, tem condições de dar opinião sobre o assunto;
- O objeto proposto partiu de um desafeto, de outro partido ou de um "inimigo";
- Sem argumentos, prefiro, por falta de grandeza, não reconhecer uma posição diferente da minha. Não enfrento o debate que o objeto me propõe, preferindo os caminhos "subterrâneos" para combatê-lo;
Confiança:
- Historicamente, o sujeito que apresentou a nova situação tem colocações e opiniões que admito como certas e as adoto como se minhas fôssem;
- Não confio nem acredito numa palavra do sujeito que apresentou o objeto do debate.

(Texto desenvolvido na disciplina Problemas Filosóficos e Antropológicos - Prof. Dr. Sérgio Trombetta - Fac. Filosofia - Unisinos - São Leopoldo/RS)


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