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domingo, 22 de julho de 2007

3. Análise do filme Efeito Colateral - "Colateral Demage"

Trabalho final para avaliação - Cultura, diferença e educação.
Professora: Fernanda Wanderer
Autores: Caroline Carlet Azambuja - Enilda Grund Biehals - Léo Jorge Philippsen - Luís Fernando Moraes de Mello - Patrícia Cristina Gomes de Andrade - Solange Müller Ferraz
Unisinos 2005/1

1ª Parte: Caracterização do Artefato

1. Tipo do Artefato: Filme.
2. Créditos: Warner Bros., 2001
3. Título do filme (artefato analisado): Efeito Colateral.
4. Ano de Produção: 2001.
5. Circuito que se insere:
5.1. Circuito doméstico.
5.2. Indústria cultural norte-americana.
6. Conseqüências da abrangência do circuito que se insere o artefato:
6.1. Escopo (objetivo, propósito) do artefato:
· Entretenimento.
· Passa tempo.
· Outros – Formador de opinião.
6.2. Público a que se destina
· Jovens.
· Adultos.
· Grupos culturais específicos: Sul-americanos.
6.3. Ficha Técnica:
· Título do Filme: Efeito Colateral
· Título Original: Collateral Damage
· Gênero: Aventura
· Tempo de Duração: 115 minutos
· Ano de Lançamento (EUA): 2002
· Site Oficial: http://collateraldamage.warnerbros.com/
· Estúdio: Warner Bros. / Bel Air Entertainment / Hacienda Productions
· Distribuição: Warner Bros.
· Direção: Andrew Davis
· Roteiro: David Griffiths e Peter Griffiths, baseado em estória de Ronald Roose, David Griffiths e Peter Griffiths
· Produção: David Foster, Peter MacGregor-Scott e Steven Reuther
· Música: Grame Revell
· Fotografia: Adam Greenberg
· Desenho de Produção: Philip Rosenberg
· Direção de Arte: Richard Reseigne
· Figurino: James W. Tyson
· Edição: Dov Hoenig e Dennis Virkler
· Efeitos Especiais: Digital Filmworks Inc. / Flash Film Works
· Elenco:- Arnold Schwarzenegger (Gordon Brewer).
- Elias Koteas (Peter Brandt).
- Francesca Neri (Selena Perrini)
- Cliff Curtis (Claudio "The Wolf" Perrini)
- John Leguizamo (Felix Ramirez)
- John Turturro (Sean Armstrong)
- Jsu Garcia (Roman)
- Tyler Posey (Mauro)
- Shelley Malil (Médica)

· Sinopse
Gordon Brewer (Arnold Schwarzenegger) é um bombeiro que perde sua esposa e filho em um atentado terrorista organizado por Claudio "The Wolf" Perrini (Cliff Curtis). Como as investigações oficiais do governo americano parecem não chegar a lugar algum, Brewer decide então perseguir o próprio "The Wolf", se envolvendo em um complicado jogo que o leva até a Colômbia.


2ª Parte: Descrição do Artefato:

O filme “Efeito Colateral” inicia procurando representar a família média americana, retratando uma vida familiar equilibrada, em que os dois membros do casal exercem as profissões de bombeiro (Gordon Brewer, interpretado por Arnold Schwarzenegger) e enfermeira, ambas na área de salvamento de vidas. Os personagens desenvolvem papéis sociais muito relevantes para a sua comunidade, sendo atribuída a estas profissões um caráter heróico.
A estabilidade da vida destes personagens é abalada por um atentado à bomba empreendido por guerrilheiros colombianos contra o consulado Colombiano, da cidade de Los Angeles nos EUA. As vítimas fatais deste episódio são a esposa e o filho do bombeiro que protagoniza o filme.
O governo americano inicia as investigações para capturar os responsáveis pelo atentado, não chegando a resultados conclusivos que pudessem fazer justiça às vidas perdidas neste incidente.
A partir daí, o potencial heroísmo do protagonista começa a tomar forma quando este decide empreender uma caçada solitária aos algozes da sua família. Assim, o bombeiro, Gordon Brewer, consegue se infiltrar na zona de guerrilha colombiana para procurar o autor do atentado e chefe da organização, conhecido como “O Lobo”.
O filme procura construir representações sobre os motivos da guerrilha a partir de um diálogo entre o bombeiro – que representa os valores morais defendidos pela ideologia americana – e o guerrilheiro “Lobo” – que representa uma postura anti-americana, fundada no radicalismo de ideologias de esquerda.
A partir do personagem “O Lobo”, a narrativa do filme procura construir a representação do guerrilheiro como uma pessoa embrutecida, que sobrepõe os ideais políticos à vida pessoal e familiar.
A narrativa filmográfica de “Efeito Colateral” procura representar o ambiente da guerrilha como um lugar onde predomina a pobreza, a desorganização e a degeneração. A sombria iluminação das imagens destes ambientes reforça o caráter pejorativo que o filme procura atribuir à guerrilha.


3ª parte: Análise do filme Efeito Colateral: cenas e linguagens.

Durante o semestre, tivemos a oportunidade, através de diversos textos lidos, em encontrar várias manifestações a respeito da influência que os dominadores dos processos culturais tem sobre o comportamento das pessoas e na formação das suas verdades. Podemos engendrar parte dos textos com os significados do filme ora analisado. Do texto de SABATH (2004, p.100), escolhemos a seguinte afirmação:

O sucesso alcançado pelas indústrias Disney [vale também para outras indústrias do ramo], por exemplo, é espantoso. Suas personagens [...] tornaram-se conhecidas no mundo todo, não apenas através de filmes produzidos pelos estúdios Disney, como também em função de uma gama de produtos comercializados [bugigangas]. Além do consumo de produtos, torna-se considerável, também, o consumo dos valores que são re/produzidos através dessas personagens. A Disney, através de suas histórias, numa miscelânea de encantamento, fantasia, inocência e diversão, ensina às crianças [também os adultos] quem elas devem ser e como é a sociedade em que vivem.

De COSTA(1998), sobre a produção de saberes/conhecimentos destacamos:

De acordo com o filósofo francês Michel Foucault, o aparato conhecimento/saberes produzidos pela modernidade constitui narrativas cuja finalidade é tornar administráveis os objetos sobre os quais elas falam. Conhecer o que deve ser governado é parte da estratégia que permite a regulação e o controle dos indivíduos e das populações que habitam as sociedades organizadas. Tornar-se cidadão ou cidadã, nesse sentido, é fazer-se parte integrante de um corpus governável porque disciplinado, regulado e normalizado por saberes que dispõem sobre seus modos de ser e de agir.

Mais adiante COSTA (1998) continua narrando os efeitos, a influência que o imperialismo cultural tem na formação da opinião das pessoas:

Nesta mesma linha de exemplificação, [...] jovens têm contestado a imagem que certas novelas e programas de televisão [também o cinema com certeza] têm criado na juventude brasileira. Eles chamam a atenção para o caráter essencialista de descrição que não levam em conta, entre outras coisas, elementos distintivos relacionados às diferentes frações de classe da juventude. Por sua vez, nós todos/as, nestes últimos anos, temos sido testemunhas da produtividade de noticiários, reportagens e premiações na constituição da representação do Movimento Sem Terra. Não tem sido poucas as pessoas que oscilam entre a aceitação e a reprovação de tal movimento, debatendo-se entre relatos controvertidos. Isto serve de exemplo para nos mostrar o quanto é fugaz a idéia de identidades “verdadeiras” e quanto as identidades são construídas nos e pelos discursos.

O que motiva uma pessoa, um grupo de pessoas, um país inteiro entrar em guerra ou em confrontos armados ou ainda, praticar atos de retaliação, aqui chamados de ataques terroristas ? Tentaremos abaixo destacar alguns pontos do filme, buscando explicações nos textos dados em aula e relacionados na bibliografia e, destacar alguns pontos do texto Socialismo com a nossa cara, extraído do Manifesto da UJS (União Jovem socialista), ligada ao PCdoB e que se encontra integralmente anexado no final deste trabalho. Usaremos este manifesto numa tentativa de apurar e compreender os caminhos que levam um grupo de pessoas insatisfeitas com a sua situação social, terminado a possibilidade de diálogo, ao conflito armado, a solução pela violência. A comparação deste texto com o filme, nos leva a uma possível compreensão da questão formulada acima. Afinal, o que motiva a violência ?

1) Família resolvida – valores familiares americanos – o ideal buscado pela maioria:
“Os americanos se escondem atrás de valores familiares”.
· Classe média americana: Branca, saudável, responsabilidades domésticas compartilhadas, relações harmonizadas.
· Bons empregos: Bombeiro e enfermeira aparentando serem bem remunerados, comparado com os padrões brasileiros que conhecemos, sem demonstração de preocupações financeiras e de riscos de desemprego.
· Conforto: Proporcionado pelas suas atividades: casa/apartamento amplo, claro, limpo, organizado – sem a tradicional empregada, carro moderno, acesso tranqüilo a um sistema de saúde.
· Perfil do protagonista: Branco, claro, afeito a atitudes heróicas. Imagem construída em filmes anteriores como herói, defensor dos fracos e oprimidos, demonstrada novamente na sua atividade de bombeiro.

Segundo Meyer (2002, p.61),

“raça /etnia e nacionalidade são marcadores sociais que estão profundamente envolvidos com esses processos de construção de diferenças e identidades culturais que aprendemos a aceitar como naturais e imutáveis e que estão na base da produção de muitas desigualdades sociais”.

Pode-se perceber em nosso dia-a-dia que o conceito de “família perfeita” é a que aparece no filme. O pai, a mãe, o filho, o tradicional, com boas condições financeiras. No entanto não vimos como normais as que saem desse padrão. Essa construção de diferenças vem acontecendo há muito tempo. Percebemos isso através da mídia, na escola, na sociedade e de tanto vermos esse estereótipos de família acabamos nos acostumando e achando natural.

“Que país é este?” (Legião Urbana)
Com um povo criativo, num vasto território e riqueza de fazer inveja, nosso gigante vive ajoelhado. O Brasil é cada vez mais dependente e subserviente em relação aos países imperialistas, em especial aos Estados Unidos.
O que move a chamada globalização é a busca do lucro, o desejo de acabar com a soberania dos países, explorar seus trabalhadores, destruir suas culturas e anexar suas riquezas. Conduzido neste rumo, nosso Brasil vê sua bandeira pisoteada, sua independência destruída e seu futuro comprometido (Manifesto UJS, 2005).

2) Ruptura da família – ruptura com os seus valores:
· Atentado terrorista – bomba.
- “Matar por uma causa.”
- Perturbação na rotina americana. Um ato de vandalismo, causado por pessoa à margem da sociedade.
· Protagonista: perde um dos elos da sua vida.
“...carro alegre, cheio de gente contente...” (Pablo Milanês)
Assim é a história: a juventude e os povos do mundo não se calam diante do caos capitalista. Em todos os continentes se levantam vozes e punhos contra o capitalismo e seus males. Exigem direitos sociais, defendem seu país, sua liberdade e assim, de dedo em riste, encaram o capitalismo, negador dos seus anseios (Manifesto da UJS, 2005).

3) O efeito colateral – vítimas da causa:
“Sangue ou liberdade”.
· Entrevista.(O fim justifica os meios – os inocentes são efeitos colaterais).
· Reação.
· O patriotismo americano.
"Quero ver quem paga pra gente ficar assim" [Cazuza]
Nossa história está marcada pelo atraso e pela subordinação extrema. Portugal, Inglaterra e Estados Unidos. Foram eles ao longo do tempo que promoveram a escravidão, a monocultura, o atraso industrial, o desenvolvimento dependente e, mais recentemente, a tentativa de desindustrialização e da nossa transformação em mercado de bugiganga.
Mas não foram eles os únicos responsáveis por esta triste história e pelo rumo atual.Os latifundiários, praga secular do nosso país, sempre sustentaram este rumo através da violência e do coronelismo político.
A chamada burguesia brasileira, incompetente e adepta do projeto imperialista, em sua maioria, sempre se subordinou aos interesses de seus patrões e de seus subordinados externos. O capital financeiro aqui já surgiu ligado aos grupos monopolistas estrangeiros (Manifesto da UJS, 2005).

4) Efeitos colaterais na Colômbia – vítimas da causa:
“Combato terroristas com terror”.
· Massacre de inocentes. (O fim justifica os meios – mais efeitos colaterais, só que desta vez tratados pelo filme como algo normal, que os paramilitares americanos, e mais tarde o “herói”, estão “autorizados” pela causa maior que defendem).
· Sobrevivência do “super herói”. Um verdadeiro Titã, protegido pelos deuses da guerra.
"Quem quer manter a ordem?" [Titãs]
Os donos do poder afirmam que vivemos uma democracia porque temos eleições. Escondem que as regras dessa ordem só servem para os que têm poder financeiro.
Essa democracia nos discrimina, não nos ouve e não nos serve. Somos considerados o futuro e, assim, no presente não temos espaço para opinar, participar e decidir. Mesmo esta falsa democracia cada vez mais é atacada e limitada...
A violência nos persegue o tempo todo. Muitos dos nossos nos ferem ou se matam em disputa entre gangues, ou são espancados pelos próprios pais.
Outros recebem uma bala perdida ou são vítimas de assalto ou perseguição. No capitalismo não temos paz.
Nossa liberdade é extremamente vigiada e reprimida. As elites e os meios de comunicação discriminam o negro, tratando-o como escravo "moderno" e deformando sua história. Às mulheres não dão igualdade de direito e não entendem sua realidade e suas diferenças. O homossexualismo é tratado como doença e não como livre opção individual. Preconceito e discriminação são as marcas do nosso tempo.Aos 18 anos somos obrigados a prestar o serviço militar, que deveria ser uma opção de consciência de cada um (Manifesto da UJS, 2005).

5) Cultura colombiana:
· Música : “Rap brasileiro”.
· Imagens (tipo de pessoas, roupas, desorganização).
· Arquitetura da praça. Imagem do país: mata (amazônica), primitiva.
· Ambiente de revolução com morte de civis e nativos pelo exército revolucionário da casa.
“Os meninos e o povo no poder..." [Milton Nascimento e Fernando Brant]
Não queremos fórmulas. O nosso socialismo será verde e amarelo, tocará viola, dançará samba e rock. Fará carnaval e jogará futebol. Será construído a partir de nossa realidade e caminhos que nós descortinaremos.
Beberá da experiência da história da luta do nosso povo. Terá o vigor dos versos abolicionistas de Castro Alves, a revolta de Zumbi, o desejo de liberdade de Tiradentes, a bravura de Helenira Rezende, de Osvaldão e dos guerrilheiros do Araguaia, o hino democrático das Diretas Já, a cara jovem e pintada do Fora Collor.
Beberá também da história da nossa América Latina, da vontade de unidade que moveu Bolivar, da revolução camponesa de Zapata, da luta de Sandino, do exemplo de dedicação e combatividade de Ernesto Che Guevara.
Nele, conquistaremos emprego digno, ensino público e gratuito, de qualidade, para todos, em todos os níveis. Nele garantiremos acesso à arte produzida em nosso país e no mundo. Lutaremos por uma nova cultura, progressista, popular e brasileira, por incentivos e espaços aos nossos artistas.A ciência e a tecnologia deverão ser desenvolvidas e utilizadas para nossos interesses, não para generalizar desemprego, destruir a natureza ou produzir armas e guerra.
Queremos que esporte e lazer façam parte do nosso cotidiano e que tenham facilidade para viajar para todos os lugares de nosso país.
Os grupos de extermínio terão que acabar e, a polícia, ao invés de nos perseguir, vai ter que prender aqueles que destroem a natureza, que roubam o dinheiro do povo, que vendem a droga e promovem a prostituição.
Brasileiro, formado pelas várias raças que se somaram e se uniram, nosso socialismo terá de acabar de fato com a discriminação e os preconceitos de toda a espécie. Nele exigiremos direito à saúde, à habitação e ao futuro. A natureza será protegida como será nosso povo. Nossa infância terá atenção e ao invés de viver jogada pelas ruas, terá o direito de brincar e de crescer sorrindo.Ajudaremos a acabar com o analfabetismo e com a ignorância. O povo aprenderá a linguagem dos computadores e da Internet, mas não deixará de lado o seu hábito de diálogo franco e seu contato social permanente. Queremos que TVs, Rádios, Cinemas e todos os meios de comunicação deixem de ser instrumentos de quadrilhas e sirvam aos nossos interesses.
Parece utopia, mas é plenamente realizável. Nós transformaremos a face do Brasil. Nunca negamos nossa rebeldia e força para as grandes transformações. A revolução que queremos exige muita luta. Não será obra fácil. De sua edificação terão que participar os trabalhadores do campo e da cidade, a juventude, os artistas e as personalidades populares. A união popular será a arma principal para vencermos. Dela deverão participar os sindicatos, as entidades estudantis e todas as organizações do povo. Os partidos do povo, unidos, deverão também fazer parte de uma ampla frente por uma vida nova (Manifesto UJS, 2005).


6) Motivos do atentado
“Vocês vem aqui roubar nossos empregos”.
· Morte da filha deles (Cláudio e a mulher).
· O americano serve de passaporte para o próximo atentado.
"Há tempos são os jovens que adoecem" [Legião Urbana]
Aqui no Brasil, somos discriminados e postos de escanteio. Amargamos o não aproveitamento do melhor de nossa criatividade e energia na imensa fila dos desempregados. A placa de "NÃO HÁ VAGAS" é a senha de nossa exclusão e marginalização. Somos milhões que não têm acesso ao ensino e por isso muitos de nós acabam lançados ao analfabetismo. Nas escolas e universidades encontramos um ensino elitista, atrasado e conservador, sem investimentos e democracia.
Os livros, peças, filmes e shows são acessíveis somente para quem tem grana .Os meios de comunicação, cada vez mais alheios à verdade, constroem um mundo falso no qual não cabemos senão como repetidores de uma moral que nos é estranha. Para nós, oferecem o individualismo, a mistificação religiosa, a banalização dos nossos desejos, a pornografia e a prostituição. Oferecem a discriminação e a exclusão social. Muitos dos nossos, não achando mais caminho, criam vício e dependência de drogas, enriquecendo os capitalistas do tráfico.
Sem casas para morar, somos jogados nas favelas e para debaixo das pontes. Excluídos, somos caçados e mortos como bichos pelos grupos de extermínios e pela polícia.
Nossa infância vende doces nas esquinas, cheira cola nas calçadas e sofre sem qualquer proteção.A prática esportiva e o lazer, para nós tão importantes na formação, são exceção em nossas vidas. O turismo é mercadoria de luxo.
Há tempos adoecemos. Somos campeões da cárie dentária e de epidemias, a rede pública de saúde vai sendo destruída e vão nos matando por falta de acesso. Não existe orientação sobre métodos anticonceptivos. São milhares de jovens que enfrentam uma gravidez sem nenhuma proteção e acompanhamento. O aborto em clínicas de fundo de quintal acaba sendo a única alternativa para interromper uma gravidez precoce e indesejada. Muitos jovens são vitimados pela Aids, por falta de informações e meios de prevenção. Alguns setores se utilizam dessa tragédia para fazer a cruzada moral e reprimir o despertar de nossa sexualidade.
Nosso meio ambiente é vítima da insanidade capitalista que o degrada, polui e destrói (Manifesto UJS).



7) Novo atentado
· A preparação
· O alvo
· O verdadeiro terrorista (a mulher do terrorista), o “Lobo”.
"Mas eu não sou as coisas e me revolto" [Carlos Drummond de Andrade]
A história do capitalismo é também a história de resistência à exploração e sua defesa de outra sociedade. Esta luta gerou em 1848, pelas mãos dos jovens alemães, Karl Marx e Friedrich Engels, o Manifesto do Partido Comunista, programa básico de luta contra o capitalismo e em defesa do socialismo. Programa que até hoje nos inspira. Em 1917, sob o comando de Lênin, o socialismo prova na velha Rússia que o capitalismo não é eterno. Em poucas décadas o socialismo alterou a face do mundo, levando à construção da União Soviética e à vitória de vários povos do leste europeu e da Ásia. Nestas suas primeiras experiências históricas, prova que é superior ao capitalismo ao oferecer direitos sociais e uma nova vida para milhões, mesmo vivendo sob o constante cerco capitalista.No entanto, cometeu vários erros importantes. Aos poucos o povo, de força principal da construção da nova sociedade, passou a ser mero coadjuvante. A democracia e a liberdade foram se reduzindo para os trabalhadores e para a juventude. A vida cultural e científica passou a ser tratada com oficialismo. Esses erros fizeram com que muitas dessas experiências acabassem por se negar. Tudo isso levou ao fim do socialismo na URSS e no Leste Europeu.
Esses reveses nas primeiras experiências socialistas revelam erros e mostram a necessidade de aprimorarmos mais seu projeto. A construção do socialismo está apenas no seu começo.


CONCLUSÃO

A mensagem recebida, a compreensão de algo sobre alguma coisa, recebe influências dos conhecimentos que temos do objeto em questão, originários da nossa cultura e educação, pela forma que convivemos com pessoas de outros gêneros ou de outras raças, ou ainda, acima de qualquer um deles, por interesses que visam o sentimento de bem estar financeiro, moral, sentimental, de poder ou de outra forma, que sufocam qualquer uma das questões anteriores. O cinema serve de instrumento para poetas, escritores e formadores de opinião comunicarem-se com o indivíduo. Hoje em dia, muito mais do que um entretenimento, é uma silenciosa e forte arma formadora de opiniões. Que confundem virtude com cidadania. Que justificam o corporativismo pela necessidade. Onde a ganância está acima de questões morais e éticas. Ela é a regra que alimenta os mais profundos desejos do ser humano e o aproxima do deus que mais respeita: o deus financeiro. Os filmes, via de regra, servem para que produtores de bens de consumo, corporações, homens e nações desejosos de riquezas e poder, dele se utilizam para alcançar seus objetivos. Usam linguagens corporais, música, estereótipos e tudo que a ciência da linguagem e dos nossos sentidos produz, criando e recriando realidades, deturpando fatos, tornando “bandidos” da vida real em “mocinhos” da tela, transformando vítimas da vida real em réus, em pessoas sem honra, em ladrões, em bandidos sanguinários, que merecem ser banidos, ter suas casas destruídas e seus lares dominados. Ou o contrário. Atingem os nossos mais íntimos desejos e sentimentos, mexem com os nossos brios, nos escandalizam, nos assombram, nos alegram, nos tornam sonhadores, nos fazem reféns de usos e costumes, nos põem de joelhos e curvados perante a sua sabedoria e suas verdades. O sucesso dos interessados em usar este instrumento como um instrumento de convencimento e dominação, será maior quanto menor for o domínio que o espectador tiver do assunto abordado. Quanto maior for a parcela da população mal informada e sensível a esta forma de apelo, maior será a abrangência de assuntos e influência que estes meios terão sobre elas. Conseqüentemente, maior será o interesse de quem quer se utilizar deles para conquistar coisas, inclusive o poder. Quanto maior, mais abrangente for o conhecimento das pessoas, fruto de estudos, de pesquisa, do conhecimento da realidade, menor influência de convencimento estes meios terão sobre a formação da opinião destas pessoas. É importante, portanto, em nome da verdade, da virtude, da ética e da moral, que passemos aos nossos educandos, a importância de se duvidar sempre de qualquer informação que recebemos e da qual temos pouca ou quase nenhuma informação. Não formar uma opinião definitiva sem antes ter o seu contraponto. Procurar ler, interpretar o que é dito e o que não é dito. Projetar possíveis resultados que a sua prática poderá criar. Saber, que é melhor não ter uma definição sobre algo insuficientemente abastecido de informações, acompanhando a opinião da moda, contra ou a favor, só para gozar de um duvidoso status de saber. A sua posição tem que ter bases sólidas, carregadas de personalidade.


Referência Bibliográfica:

EFEITO colateral. Direção: Andrew Davis. Produção: Steven Reuther e David Foster. Elenco: Arnold Schwartzenegger; Elias Kotlas, Francesca Neri, Cliff Curtis e outros. Local: Trademark Warner Bros. Inc. Made in Brazil, Rio de Janeiro – RJ: 2001. 1 fita de vídeo, VHS, son., color.

COSTA, Marisa Vorraber. Política Cultural na escola – que fazer na segunda-feira ? In: Novo Hamburgo: Jornal NH na escola, 09.05.1998.

FABRIS, Eli T. Henn; LOPES, Maura Corcini. O olhar do cinema sobre a diferença. In: LOPES, Luiz Paulo da Moita; BASTOS, Liliana Cabral, organizadores. Recortes multi e interdisciplinares. Campinas, SP : Mercado de Letras, 2002.

LOURO, Guacira Lopes. O cinema como pedagogia. LOPES, Eliane M.; FILHO, Luciano Mendes; VEIGA, Cyntia G. 500 anos de Educação no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2000.

MEYER, Dagmar E. Esterman. Das (im)possibilidade de se ver como anjo...In: GOMES, Nilma Lino; SILVA, Petronilda B.Y. (Org.) Experiência étnico-culturais para a formação de professores. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2002.

MANIFESTO da UJS (União Jovem Socialista). Brasília: 2005.

SABATH, Ruth. Só as bem quietinhas vão casar. MAYER, Dagmar E.; SOARES, Rosângela, de F. R., organizadoras. Corpo, gênero e sexualidade. Porto Alegre: Mediação, 2004.

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